Chegando as portas dos 20 anos posso dizer que não sou mais um adolescente – nem tão adulto assim – e vendo os anos que passaram muitas lembranças vem a mente, uma delas é de quando eu fumei pela primeira vez maconha. Não que esta lembrança seja nobre ou edificante, mas ela me serviu posteriormente no planejamento do tipo de vida que eu queria levar. A sociedade em geral acredita que um garoto de 14 ou 15 ano não tem muitas responsabilidades e deveres, que levam uma vida fácil, sem preocupações serias, apenas ocupando seu tempo em gozar de sua juventude. Eu acho isto uma grande mentira. Os 15 anos podem ser sim muito bons quando se olha para trás, mas tente lembrar se naquela idade você achava o mesmo? Um garoto de 15 anos diariamente é pressionado para ser o “machão”, para não ter medo, se adequar aos novos hábitos e comportamentos que lhe são impostos. Recordo-me muito bem do tamanho esforço que fazia para ser classificado nos parâmetros normais da casta escolar. E um belo dia de verão minha curiosidade juvenil somada ao desejo de aceitação fez-me querer “experimentar” daquela substancia que todos os garotos tidos como “populares” eram adeptos. Não que propriamente tenha sido pressionado a isto, ou ate mesmo que não soubesse de toda a historia e perigos daquela ação, mas naquele momento eu estava fechando os olhos para isto – prazer momentâneo, o oco do mundo – interessando-me somente o descobrir de algo novo e proibido. E lá estava o Hammerhead acompanhado de dois amigos, juntamente com o traficante – que também era um conhecido meu – em uma rua isolada, e no meio dos preparativos o traficante vira para mim dizendo “Dichava aí Gogó”, sorrindo lhe disse que nem imaginava como fazia isto. “Bom então é melhor aprender, porque você nunca será o mesmo depois disto” eu ouvi logo depois dele. Na hora nem raciocinei e depois do at completo tive todas aquelas emoções que o THC te trás: sorriso intermitente, alegria sem motivo, as cores pulsando, o leveza do corpo, etc. “Bom então é melhor aprender, porque você nunca será o mesmo depois disto”. Esta maldita frase não me saia da mente depois de algum tempo em uma de minhas viagens, pior é que eu via que não era mais o mesmo e quão triste isto era. A minha inocente formula da alegria vagarosamente me mudou, e de uma certa forma eu estava me viciando. Não o vicio orgânico ou psicológico, mas sim estava me viciando em não ser mais o Hammerhead, em não ser mais o cara estranho que fazia coisas sem nexo, que pensava besteiras e desenhava monstrinhos em seu caderno. O aditivo avia aos poucos minando minha personalidade, transformando em alguém que não pensava mais no seu futuro, que não planejava mais o que queria de sua vida, e o pior disto e que eu não via esta minha nova situação. Não que eu queira dar uma de moralista puritano condenado que usa da “medicina verde”, muito de meus amigos são canabis e para muito deles a erva não trás malefícios, o que eu percebi é que para mim aquilo não servia mais.
Escrito por Hammerhead às 22h15
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